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14 de Agosto de 2022

O poder de uma história para a sua advocacia - ou qualquer coisa que você for fazer

Histórias têm o poder de nos conectar, de conectar você aos seus clientes e também suas petições com os juízes.

Pedro Custódio, Advogado
Publicado por Pedro Custódio
há 2 anos

Durante um bom tempo da minha vida, eu me vi fadado a separar dois tipos de seres coexistentes dentro de mim: um é o Pedro cheio de regras, conservador, que está sempre com um pé atrás em termos de cláusulas contratuais e tem passos milimetricamente calculados. Eu não o usava com tanta frequência quanto deveria, mas, para ser um advogado, era necessário vestir essa “capa” - ou o terno.

Já o outro Pedro é o meu lado freestyle, sonhador, minimalista e criativo. É o Pedro que queria ser músico, tem cabelo comprido e prefere experiências a coisas. É o Pedro que me faz refletir sobre a vida, o tempo e as pessoas e, de vez em quando, escreve sobre isso.

Nunca pensei que esses dois seres poderiam ocupar o mesmo lugar um dia, mas resolvi dar espaço para que se manifestassem ao mesmo tempo.

O resultado é o Pedro advogado que carrega o escritório na mochila e escreve.

E é assim que tem sido: sou um advogado full-time e escrevo também full-time.

Engraçado que quando eu passei a me identificar como um advogado que escreve, comecei a atrair as pessoas e oportunidades mais legais da minha vida.

Ao menos é o que posso dizer do que tem me ocorrido nos últimos meses, embora esteja há um tempo sem aparecer por aqui.

Um escritório de advocacia com quase 4.000 clientes me procurou com uma demanda que, até então, eu não tinha pensado que apareceria.

Não era para serviços jurídicos, nem para produzir conteúdos apenas, mas criar toda a comunicação do escritório com o cliente, com pitadas de boas histórias.

Durante uma de nossas conversas por vídeo, perguntei ao gestor do escritório, um cara de trinta e poucos anos e com várias ideias inovadoras na cabeça, o que tinha chamado a sua atenção para entrar em contato comigo.

Segundo ele, bom, foram as minhas histórias.

Desde que viralizei pela primeira vez com um texto sobre ter ou não um escritório físico, no longínquo ano de 2018, senti que as coisas que eu escrevo realmente têm uma capacidade de gerar identificação com meus leitores.

Acho que a união do Pedro advogado engravatado com o Pedro minimalista e metido a escritor resultou nisso.

Na época, recebi muitos comentários e e-mails de advogados e advogadas, juniores, plenos e até seniores, que perceberam que poderiam ser mais livres, trabalharem com mais criatividade e terem mais tempo para as coisas importantes - além de economizar uns trocados com aluguel de sala comercial, papelada e cafezinhos.

Não utilizei técnicas de copywriting muito menos sabia as melhores práticas de SEO para ranquear no Google, mas a mensagem de um advogado que queria liberdade se espalhou e foi capaz de transformar vidas.

A segunda vez que um texto meu viralizou foi quando abri meu coração e contei que nunca teria um terno Brooksfield.

Para alguns, um discurso de advogado sem sangue nos olhos. Para outros, um caminho alternativo em meio aos clubes 5AM’s e faturamentos multimilionários, que, muitas vezes, geram comparações e, claro, ansiedade.

De qualquer forma e independentemente do que pensam, é a minha história.

O meu interesse nunca foi o de colecionar seguidores ou desenvolver uma fórmula infalível de escrita que torne isso possível, embora existam algumas técnicas que podem te ajudar.

Queria apenas compartilhar minhas ideias.

O próprio Jusbrasil foi me chamar depois de “o contador de histórias”, o que me deu destaque, seguidores e oportunidades dentro da maior plataforma jurídica do país, além de mudar por completo a minha carreira como advogado que escreve.

De fato, comecei a notar que o elemento que faz um conteúdo ser tão acessado, compartilhado e lido é mais que desenvolver uma boa escrita, mas ter uma boa história.

Histórias estão em todo lugar.

Nos livros, textos, filmes, séries, posts e, por que não, nas suas petições.

No cenário jurídico existe aquela lenda de que juiz não lê petição.

Bom, partindo do pressuposto de que ao advogado cumpre dar os fatos - da mihi factum, dabo tibi ius -, será que em nossas petições não faltam histórias impactantes e irresistíveis de serem lidas pelos juízes?

No que vocês podem imaginar, é claro que comecei a utilizar as minhas habilidades com a escrita de algum modo no meu trabalho jurídico.

Confesso que surgiram algumas petições que gostei de ler, não pelas ementas ou trechos doutrinários que colacionei, mas pela história que, acredito eu, o juiz tenha lido e gostado também.

Se pararmos para pensar, o direito nada mais é que a oportunidade de alguém contar a sua história e ser ouvido, para depois ter o seu próprio direito de fazer justiça e assim ser respeitado.

A palavra é o instrumento irresistível da conquista da liberdade. Rui Barbosa

Tudo começa com uma boa história. Inclusive, a sua vida.

Histórias impactantes e que geram identificação com as pessoas sempre terão espaço nas abas dos navegadores da vida.

Se a gente soubesse o poder que isso tem, de mexer com o imaginário das pessoas com as histórias que contamos, a arte de escrever não seria perdida em modelos prontos que encontramos na internet, muito menos teríamos medo de sermos substituídos pela inteligência artificial.

Não importa o seu objetivo, se é ser visto no mundo online ou fazer com que o juiz leia as suas petições.

Contar boas histórias pode ser o que falta para deixar suas palavras mais relevantes.

Tem até um nome pra isso: o storytelling, que é a capacidade de contar histórias de uma maneira que chame a atenção, seja nos seus textos, petições ou, por que não, numa sustentação oral.

Eu entendi o lugar do storytelling na minha vida.

E você?

Publicado originalmente em pedrocustodio.adv.br

E aí, gostou do texto? O que você acha do poder de uma história? Ficou curios@ para saber mais sobre o assunto? Vamos trocar uma ideia nos comentários ;)

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29 Comentários

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Sempre muito legal os seus texto. Ainda não sei se pelas boas histórias contadas, pela concisão das idéias ou pela alma de querer tocar e transformar o próximo. Força Dr. Teu trabalho motiva pacas! continuar lendo

Caramba, Marcus!

Muito obrigado pelas palavras. Fiquei feliz por ler isso 💙

Abraços! continuar lendo

Eu já havia te cobrado textos porque estava com saudade. Meu amigo, não nos deixe tanto tempo sem essas "histórias" maravilhosas.

Mais um texto lindo que curto antes mesmo de ler.

Sabe o que é engraçado? Por saber que tem um estilo de vida diferente da maioria das pessoas, por ser o "advogado que mora no sítio", sinto que você é tão calmo e leio seus textos bem devagar, como imagino você escrevendo. Que doido isso, né?!
Parabéns pelo texto!

Pedro, sou sua fã. continuar lendo

Oi, Suely! =D

Poxa vida, e quando publiquei lembrei de compartilhar com você lá no direct do Instagram, onde nos falamos pela última vez.

Acabei fazendo outra coisa e passou batido! Haha!

Que bom que leu com calma :) quando vejo você conversando com seus seguidores sobre o que acharam da sua foto, percebo o seu comprometimento em fazer algo relevante no mundo e que vale a pena ser visto com calma também.

Obrigado pelo carinho de sempre!

Abraços! continuar lendo

Olá , meu nobre, ... à vida temos as nossas historias que devemos defender-las , eu, sempre entendo os outros ! já esses outros, vive em outra galáxia e que nem sempre está querendo ouvir às nossas historias ,nesse contexto levamos a uma nova abordagem que possamos ser ouvido!
apresentamos uma outra embalagem para o mesmo conteúdo, o sol poderá ser eterno, mas todos os dias ele nasce, hoje é moderno amanhã será obsoleto!
Nossa oportunidade sempre será única, embora podemos ser vários em dar voz aquele que não soube apresentar sua verdadeira HISTÓRIA existem cura?... continuar lendo

Dr, que texto bacana!
Me identifico com as duas personalidades existentes, a diferença é que, por aqui, ainda não dei margem à tanta criatividade na advocacia.

Fico feliz com seu resultado e por estar desbravando novos rumos dentro da advocacia!

Sucesso continuar lendo

Oi, Juliana!

Poxa, seus textos são ótimos e criativos, e fico feliz de te ver publicando suas ideias também! :)

Sucesso pra gente e obrigado pelo comentário!

Abraços! continuar lendo