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21 de Setembro de 2019

Coisas que eu aprendi advogando sozinho: Parte 3

Pedro Custódio, Advogado
Publicado por Pedro Custódio
ano passado

Há quinze dias comecei uma série de textos sobre Coisas que eu aprendi advogando sozinho. A lista é grande, como tudo o que você aprende na vida, mas procurei lembrar das que considero mais importantes ou que foram fundamentais para que eu conseguisse equilibrar trabalho e vida.

Isso mesmo. Nos textos não dei nenhuma dica de como ganhar mais dinheiro. Talvez até fale sobre isso um dia – quando acontecer de eu ganhar mais dinheiro –, mas, por enquanto, escrevo sobre as coisas que considero mais significativas, como o tempo, e como entender o seu preço foi fundamental para que eu fizesse melhor minhas escolhas.

Afinal, tudo o que fazemos custa tempo de vida.

No terceiro e último texto da série misturei alguns conselhos de carreira e de vida. Espero que te ajude.

Escreva

Eu já contei por aqui que eu era um advogado totalmente offline. Começar a escrever e publicar foi um divisor de águas na minha vida. Não só pelo prazer de ver minhas ideias no papel – ou melhor, na tela do computador –, mas, principalmente, porque percebi que escrevendo eu estava ajudando outras pessoas.

Não foram uma nem duas, mas várias mensagens e comentários que recebi de pessoas que se sentiram motivadas, inspiradas ou encorajadas depois que leram meus textos.

E isso, cara, para mim, não tem preço.

Se tem uma coisa que aprendi advogando sozinho é que você pode fazer uma diferença incrível no mundo escrevendo e publicando as suas ideias. Não importa se você gosta de escrever sobre a vida, suas experiências ou explicar os temas mais técnicos do direito. Certamente tem alguém querendo saber ou aprender o que você sabe.

Por isso, escreva e contribua de alguma forma.

A profissão não é um fim, mas um meio

Quando entendi isso minha vida ficou mais leve. É que desde criança somos ensinados – ou condicionados – a estudar, estudar, passar no vestibular, fazer uma faculdade, formar e ter uma profissão – geralmente alguma que dê um bom dinheiro.

Fica parecendo que o projeto de vida termina aí. Depois disso é casar, ter filhos e continuar trabalhando.

Um dia eu sonhei com uma vida diferente para mim – e para minha esposa. Uma vida em que a gente pudesse ter mais tempo e flexibilidade. Deixando de lado esse papo de “largar tudo”, comecei a pensar numa forma de usar a minha profissão como um meio para atingir os meus objetivos de vida.

Foi aí que saí do escritório no qual trabalhava e comecei a advogar sozinho em home office. Hoje moro num sítio, tenho mais tempo e flexibilidade.

Use a sua profissão para abençoar alguém

Nessa correria rumo ao sucesso – vamos ser sinceros: está todo mundo correndo atrás de seus próprios interesses – às vezes nos esquecemos de estender a mão.

Sabe aquele negócio de fazer alguma coisa sem esperar nada em troca? Ajudar alguém que precisa simplesmente por ajudar, comparecer a algum evento apenas para prestigiar ou mesmo escrever sobre alguma coisa simplesmente para que alguém leia e tire a sua dúvida. Enfim, fazer algo com a mão direita e a esquerda não ficar nem sabendo?

Acredito que precisamos disso. Se sentir útil faz bem pra gente.

Veja se na sua cidade há alguma instituição filantrópica precisando de assessoria jurídica, por exemplo.

Se estiver ao seu alcance, ajude.

Faça alguma coisa inusitada

Há exatamente dois meses e um dia eu e minha esposa nos mudamos para um sítio, no interior de Minas Gerais. Já plantamos, colhemos, inspiramos outras pessoas e começamos outros projetos. Foi desafiador, mas os dias aqui têm sido uma verdadeira recompensa da nossa escolha.

Sócrates disse uma vez que uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida. Eu concordo com ele. A vida torna-se um tédio.

Se você não sabe, aprenda a tocar violão ou a falar um novo idioma, escreva um livro, faça pratos bem elaborados, saia do escritório no qual trabalha e comece seu próprio negócio, enfim. Você não precisa ir tão longe nem “largar tudo”, mas não deixe que sua vida vire um destino já traçado e previsível, se você não estiver feliz.

Faça dela uma viagem cheia de desafios inusitados.

Aja e mexa-se de alguma forma

Nesse tempo advogando sozinho aprendi que o grande segredo para que as coisas aconteçam é agir. De segredo não tem nada, e mais clichê do que isso, impossível. Mas é a verdade. Você deve conhecer a frase de George S. Patton: Um bom plano implementado hoje é melhor do que um plano perfeito implementado amanhã.

Você não estaria lendo esse texto hoje, se no dia 20 de Dezembro de 2017, quando publiquei o meu primeiro texto, não tivesse apertado o botão “publicar”.

A ação é uma parte realmente difícil, pois você precisa vencer muitos medos e receios, principalmente se for fazer algo novo ou inusitado.

Mas, acredite em mim, se for um bom plano, sua recompensa será incrível.

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Gostou desse texto? Deixe sua opinião nos comentários. Aproveite também para compartilhar comigo o que você pensa sobre carreira, estilo de vida e objetivos.

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Publicado originalmente em pedrocustodio.adv.br

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220 Comentários

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Muito boa a publicação!

Fiz algo parecido recentemente. Pedi demissão em uma empresa multinacional em que era registrado e com um bom salário. Larguei para começar a advogar por conta, sem nunca ter advogado antes. Mesmo formado há algum tempo.

Não me arrependo e estou aprendendo a cada dia. Seu texto é motivador para pessoas como eu. Parabéns e Obrigado! continuar lendo

Oi, Rudolph!

Puxa vida! Que experiência bacana! Parabéns pela sua coragem!

Não deixe de compartilhar sua história aqui com a gente! ;)

Obrigado pelo comentário!

Abraços! continuar lendo

@rudolpheks Parabéns por sua escolha.

Te entendo completamente. Eu era servidora pública estadual quando me formei. Concursada e já efetiva. Então, muita gente achou loucura quando pedi exoneração do cargo para desbravar novos mares. Sem fazer a menor ideia do que ia fazer da vida. Apenas na certeza de que não estudei Direito para me manter socada atrás de um balcão, feito uma peça de museu tomando poeira.

Depois de passar alguns anos (muitos, por sinal) atuando nos bastidores de escritórios dos outros, há exatos 5 anos decidi advogar sozinha, exatamente como fez Pedro Custódio. Tenho um escritório sim, mas não no modelo convencional. É apenas um ponto de apoio para reunir com clientes agendados, indicar como endereço profissional e manter meus arquivos físicos para não entulhar meu apartamento com toda a parafernália de uma vida de advocacia (já quase 18 anos ao todo).

E vou te dizer, cada vez que fiz essas escolhas, primeiramente de sair do comodismo do serviço público e depois, do outro comodismo, de trabalhar para os outros, me senti livre, e jamais me arrependi. Meu arrependimento foi apenas não ter tido oportunidade de ter tomado a decisão de advogar sozinha antes. Meu primeiro escritório era sozinha e fiquei um ano. Depois ofereceram uma parceria e fui, assustada com as dificuldades normais de iniciante, especialmente, não ganhar o bastante para pagar as contas. Mas assim que vi que não foi uma boa ideia e que eu não estava crescendo, demorei muito para conseguir retornar à origem e continuar por conta própria. Finalmente, deu certo e tem sido a melhor coisa do mundo. continuar lendo

Você devia ter algum dinheiro guardado não é Doutor. Pois o que vejo nos relatos mais honestos é que ainda os advogados não estão ganhando para pagar as contas do mês. continuar lendo

Conselhos anotados em uma folha de papel na qual farei questão de ler todos os dias até memorizar.

A máxima de que "se conselho fosse bom era vendido e não dado" não passa de uma mero discurso daqueles que não estão aptos a ouvir bons posicionamentos acerca da vida.

É com o maior prazer que digo que são admiráveis os 3 textos e devem ser relidos até perpetuarem na memória.

Muito obrigada e fico no aguardo por mais textos construtivos. continuar lendo

Oi, Juliana!

Fico muito feliz por saber que os textos foram úteis pra você! Não só com os textos, mas conte comigo também sempre que precisar, ok?

Obrigado pelo seu comentário!

Abraços! continuar lendo

Pedro, Muito boas as suas dicas. Eu transformei a minha vida. Hoje não ganho muito dinheiro, aliás ainda estou no sufoco de não saber o dia de amanhã, se vou conseguir pagar as contas ou não, mas essa virada me fez muito bem.
Eu trabalhava como gerente em uma loja de departamentos, ganhava razoavelmente bem e me formei em direito. Porém não tinha tempo nem condições psicológicas para estudar e prestar o exame da OAB. Continuei trabalhando, até que o tratamento que recebia não estava me agradando, comecei a perder o entusiasmo e fui demitida. Imediatamente, resolvi investir na minha carreira. Prestei o exame, passei e comecei a advogar sozinha. Trabalho em Home office, estou cursando uma pós graduação, com todas as falhas e inseguranças de iniciante, tenho uma considerável carteira de clientes e me orgulho do que faço. Procuro ajudar as pessoas, dentro do possível, só falta mesmo eu conseguir garantir as contas do mês. Quando isso acontecer, me sentirei realizada. e pronta para novos desafios. continuar lendo

Oi, Roseli!

Puxa vida! Que bacana o seu relato! Obrigado por compartilhar isso comigo!

Te desejo muito sucesso nessa caminhada. Pode ter certeza que colherá bons frutos!

Abraços! continuar lendo

Texto sensacional.
Ser feliz no caminho...
Isso foi minha meta quando decidi que queria advogar, pois o sonho era fazer concurso. Mas ficar anos parada estudando para uma carreira que eu poderia chegar lá e simplesmente não ser "o que imaginava", era bem possível, pois nos estágios que passei vi muita gente que só estava lá pelo salário, mal-humorado e que só pensava nos fins de semana, feriados e férias (alguns servidores, que fique claro).
Vi também, pessoas que só queriam passar em provas e provas para postar em redes sociais suas aprovações. Decidi que não queria isso para mim...
Queria exercer o direito e ser feliz no caminho. A vida é muito curta!
A decisão de advogar é: vou trabalhar muito, muito, mas poderei decidir meus horários, devo continuar estudando, e é o que quero, mas poderei viver enquanto isso. Poderei realizar outros sonhos durante a trajetória (leia-se: vida toda), como tocar violão, viajar, aprender outros idiomas, escrever, fazer mestrado...).
Seus textos, na essência, é uma grande lição.
Parabéns mais uma vez.
Obrigada pro dividir conosco algo tão valioso.
Abraço e sucesso. continuar lendo

Oi, Suely!

Fico muito feliz por isso. Sua gratidão me motivou muito.

Te desejo felicidade.

Obrigado pelo seu comentário!

Abraços! continuar lendo